Segurança nas manutenções em cabines de energia – Parte 1

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Introdução:

As operações, manutenções e montagens de cabines de energia seguem as normas NBR 14039, NBR 5410, NR 10 e até a NBR 5419 quando as cabines estão externas as edificações.

Sendo assim devem ser seguidas em suas íntegras quaisquer serviços que forem ser executados em cabines de energia.

As normas anteriormente mencionadas tratam todas as questões e critérios referentes aos projetos, manutenções, proteção, segurança e quais são os profissionais que podem intervir no sistema elétrico realizar esses serviços.

 

Profissionais:

Para entendermos melhor quais os procedimentos para as manutenções em cabines de energia devemos iniciar pela NBR 14039 e tratar sobre quais os profissionais que podem intervir no sistema elétrico, seguindo as diretrizes da tabela 12 da NBR 14039 que considera a competência dos profissionais para a execução dos trabalhos.

 

Código Classificação Características Aplicações e exemplos
BA1 Comuns Pessoas inadvertidas
BA4 Advertidas Pessoas suficientemente informadas ou supervisionadas por pessoas qualificadas de modo a lhes permitir evitar os perigos que a eletricidade pode apresentar Pessoal de manutenção e/ou operação trabalhando em locais de serviço elétrico
BA5 Qualificadas Pessoas que têm conhecimentos técnicos ou experiência suficiente para lhes permitir evitar os perigos que a eletricidade pode apresentar Engenheiros e/ou técnicos trabalhando em locais de serviço elétrico fechados

Imagem 01 – Tabela 12 (Competência de pessoas)

 

Aonde temos as seguintes classificações:

  • BA1: são pessoas com total desconhecimento da área elétrica, consideradas pessoas inadvertidas;
  • BA4: são agentes de operação e manutenção que receberam uma formação limitada para efetuar certas manobras, em último caso com o acompanhamento de pessoas qualificadas;
  • BA5: são engenheiros ou técnicos que receberam uma formação apropriada às operações e manobras a que estão destinados a fazer.

 

Com as seguintes determinações deve-se adotar simultaneamente as condições da NR-10, item 10.8, que estabelece os critérios de habilitação qualificação e autorização dos trabalhadores (para ver o conteúdo da NR-10 acesse o link: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR10.pdf.

É possível assim se verificar que além da necessidade da formação os profissionais devem ter uma autorização formal da empresa, ou seja, devem ter em seu registro de empregados essa autorização.

Apontando assim dois critérios para que os colaboradores possam ser autorizados:

  • A pessoa deve ser uma pessoa qualificada ou capacitada;
  • O profissional autorizado a trabalhar em instalações elétricas deve ter essa condição consignada no sistema de registro de empregado da empresa. Isto evidencia que a autorização deve ser de caráter permanente, fazendo parte da função do profissional.

A definição da competência dos profissionais deve ser feita em conformidade com a NR-10, seguindo seus critérios de cursos e avaliações para tornar o profissional apto, devendo ter o curso do SEP conforme determinação do item 10.7.2 da NR-10.

 

“10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem receber treinamento de segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo III desta NR. (Alteração dada pela Portaria MTPS 508/2016).

 

10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem receber treinamento de segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo II desta NR.

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Vale ressaltar que mesmo que as instalações estejam em plena conformidade, com todas as proteções e dispositivos de segurança o acesso as cabines continuam sendo restritas as pessoas do tipo BA1 conforme o item 9.1.6 da NBR 14039

 

“9.1.6 O acesso a subestações somente é permitido a pessoas BA4 e BA5, sendo proibido o acesso a pessoas BA1.

 

Equipamentos de proteção individual e coletiva para acessos e manobras:

A primeira etapa para o procedimento dos serviços das cabines deverá seguir o item 10.2 da NR 10 na íntegra aonde devem ser aplicadas as medidas de controle e as medidas de proteção coletiva e individual dos profissionais envolvidos (para acessar o conteúdo da NR-10 acesse o link: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR10.pdf).

Em paralelo ao item 10.2 da NR-10 devem ser aplicadas as medidas da NBR 14039 que estabelecem que o trabalho no interior das cabines deve ser efetuado apenas com autorização do profissional qualificado e nunca deve ser realizado por apenas um profissional, onde um dos profissionais deve ser o BA5, conforme os itens 8.1.5 e 8.1.6.

 

“8.1.5 Qualquer manobra, programada ou de emergência, deve ser efetuada somente com a autorização de pessoa qualificada (BA5), conforme tabela 12.

8.1.6 Qualquer manobra deve ser efetuada por no mínimo duas pessoas, sendo que uma delas deve ser BA5.

 

De acordo com os itens 8.1.7 e 8.3.2 da NBR 14039 é obrigatório o uso de EPC e EPI para os serviços de manutenção e operação nas cabines.

 

“8.1.7 É obrigatório o uso de EPC (equipamentos de proteção coletiva) e EPI (equipamentos de proteção individual) apropriados, em todos os serviços de manutenção das instalações elétricas de média tensão.

 

“8.3.2 É obrigatório o uso de EPC (equipamentos de proteção coletiva) e EPI (equipamentos de proteção individual) apropriados em todos os serviços de operação das instalações elétricas de média tensão, exceto nos casos de operação remota, onde as medidas de proteção contra contato direto e indireto devem atender à ABNT NBR 5410.

 

Sendo assim podemos relacionar os EPI´s e EPC´s necessários para cada tipo de trabalho no interior das cabines de acordo com os cálculos de energia incidente (ATPV) e também através das análises de risco que devem ser realizadas antes de cada serviço, utilizando-se o anexo I da NR-6.

Os cálculos de energia incidente são gerados levando-se em consideração toda a instalação da cabine, o tipo dos equipamentos, correntes de curto-circuito e etc. analisando-se cada cabine individualmente.

Vale salientar que os cálculos devem ser executados por engenheiro eletricista que deve emitir um relatório com laudo e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) com os resultados obtidos junto com as determinações para a confecção das placas orientativas que devem ser instaladas na porta das cabines e painéis.

Pode-se então se estabelecer uma lista preliminar mínima, dos equipamentos de proteção individual e coletiva comumente necessários para realizar as operações e manutenções no interior das cabines:

 

Lista dos EPI´s:

  • Capacete com jugular;
  • Óculos de proteção;
  • Calçados de proteção (PVC) contra riscos de origem elétrica;
  • Roupa anti-chamas;

 

Lista dos EPC´s:

  • Tapete de borracha;
  • Luva de borracha;
  • Vara de manobra;
  • Detector de tensão;
  • Luva de raspa;
  • Aterramento provisório;
  • Diagrama unifilar atualizado, disponível no interior da cabine;
  • Placas de advertência e sinalização de perigos;

 

Vale ressaltar que as classes de tensão dos EPI´s e EPC´s devem ser condizentes com a tensão que chega no primário do transformador, por exemplo se estas forem de 11,9kV, 13,8kV,  devemos considerar uma classe de 15kV para os equipamentos de proteção e o cálculo de ATPV para a verificação do risco e determinação dos EPI´s.