Segurança nas manutenções em cabines de energia – Parte 2

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Zonas de risco e controlada:

A NR-10 também trata em seu anexo I as zonas livres, controladas e de risco para que sejam analisadas as utilizações dos EPI´s e EPC´s em cada situação, como é possível se verificar a seguir.

 

ANEXO I

ZONA DE RISCO E ZONA CONTROLADA

Tabela de raios de delimitação de zonas de risco, controlada e livre.

Faixa de tensão Nominal da instalação elétrica em kV Rr – Raio de delimitação entre zona de risco e controlada em metros Rc – Raio de delimitação entre zona controlada e livre em metros
<1 0,20 0,70
e <3 0,22 1,22
e <6 0,25 1,25
e <10 0,35 1,35
e <15 0,38 1,38
e <20 0,40 1,40
e <30 0,56 1,56
e <36 0,58 1,58
e <45 0,63 1,63
e <60 0,83 1,83
e <70 0,90 1,90
e <110 1,00 2,00
e <132 1,10 3,10
e <150 1,20 3,20
e <220 1,60 3,60
e <275 1,80 3,80
e <380 2,50 4,50
e <480 3,20 5,20
e <700 5,20 7,20

 

Figura 1 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre

 

Figura 2 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre, com interposição de superfície de separação física adequada.

 

ZL = Zona livre

ZC = Zona controlada, restrita a trabalhadores autorizados.

ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores autorizados e com a adoção de técnicas, instrumentos e equipamentos apropriados ao trabalho.

PE = Ponto da instalação energizado.

SI = Superfície isolante construída com material resistente e dotada de todos dispositivos de segurança.

 

Levando-se em consideração as determinações de zona livre, controlada e zona de risco para as cabines de energia podemos determinar que no caso de cabines com cubículos blindados as áreas ao seu entorno são zonas livres, ao contrário das cabines convencionais aonde ao adentrar já estamos na zona controlada.

Entretanto devemos levar em consideração que as cabines são zonas controladas, mesmo com cubículos blindados e pessoas BA1 não podem adentrar as mesmas, sendo assim obrigatória observações de perigo nas portas de acesso.

As portas devem conter trancas com chaves que ficam apenas com as pessoas do tipo BA4 e BA5, além da possibilidade de uma falha, por exemplo se a porta de um cubículo ou do QGBT não estiver totalmente fechada ou vedada o trabalhador que estará realizando a vistoria se aproximará da zona controlada e de risco sem os EPI´s, dessa maneira não é aconselhável  o acesso ao interior das cabines sem a utilização dos corretos equipamentos de proteção coletiva e individual.

 

PROCEDIMENTOS:

Para tornar as atividades elétricas sempre seguras é importante que as empresas sempre tenham os itens acima tratados como mínimos para seu quadro de colaboradores e, para quando forem realizadas as contratações de empresas prestadoras de serviço na área elétrica que tenham como processo dentro de sua empresa e apliquem entre seus profissionais as seguintes rotinas:

Dar sempre atenção especial ao bloqueio de fontes de energia elétrica reforçando sempre entre os eletricistas o uso obrigatório do Cartão de Impedimento, Cadeados de Segurança e Travas de Seccionamento elétrico; este sistema visa diminuir o risco de energização acidental durante a manutenção de máquinas, equipamentos e redes elétricas principalmente quando mais de um profissional está trabalhando nessa máquina e/ou equipamento. NR 10 – 10.3.2.5.2 e NBR 5410 – 5.6.4.2.3. Quando da realização de serviços em locais úmidos ou encharcados bem como o piso oferecer condições propicias para a condução da corrente elétrica, sempre utilizar extensões elétricas alimentadas por transformador de segurança ou por tensão elétrica não superior a 24 volts para prevenir contra choques por contatos indiretos (NBR 5410 /04, Anexo “C”).

Quando o serviço for executado em local isolado e confinado, principalmente à noite, por medida de segurança deverão trabalhar sempre 02 eletricistas juntos, ambos treinados em técnicas de salvamento por respiração artificial.

 

Segurança em Instalações Elétricas Desenergizadas (NR-10-10.5):

Somente são consideradas instalações elétricas desenergizadas liberadas para trabalho, aquelas que preencham os procedimentos abaixo:

a) Seccionamento;

b) Impedimento de reenergização (bloqueio mecânico e elétrico);

c) Constatação da ausência de tensão;

d) Instalação de aterramento temporário c/ eqüipotencialização;

e) Proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada;

f ) Instalação de sinalização de impedimento de reenergização.

 

As vestimentas de trabalho dos eletricistas deverão ser adequadas às atividades, devendo contemplar a proteção contra emissão de arcos elétricos. NR 10 – 10.2.9.2 e NR-6.

 

 

RECOMENDAÇÕES:

É importante que as empresas tenham em sua rotina de manutenção elétrica ou novas instalações, as orientações abaixo, pois assim estarão garantindo uma instalação elétrica dentro dos padrões das normas vigentes, e garantindo segurança para o pessoal envolvido:

Manter sinalizados com placas/adesivos indicativos legíveis e de fácil visualização, os dispositivos de controle e manobra de quadros de força e luz, chaves secionadoras distantes das máquinas sob sua atuação – NBR 5410/04, parte 6, grupo 6.1.5.;

Identificar de maneira padronizada, legível e clara, todas as fiações existentes em quadros de distribuição, luz e força e caixas de chaves secionadoras. Em casos de difícil identificação dos circuitos e fiações, deverá existir no interior do quadro ou próximo à caixa, uma cópia do esquema elétrico da instalação colocando também etiquetas indicativas de destino dos circuitos em intervalos regulares, quando necessário, NBR 5410/04, parte 6, grupo 6.1.5.;

Os condutores utilizados como condutor Neutro deverão ser identificados conforme essa função, em caso de identificação por cor, deverá ser utilizada a cor azul-claro, NBR 5410/04, parte 6, grupo 6.1.5.;

Todo condutor isolado utilizado como condutor de PROTEÇÃO (PE) deve ser identificado de acordo com essa função, em caso de identificação por cor, deve ser utilizada a dupla coloração verde-amarelo, ou na falta desta, a cor verde, NBR 5410/04, parte 6, grupo 6.1.5.;

Efetuar periodicamente a medição da resistência de aterramento do sistema de aterramento, ou seja, painel de energia e aterramento da cabine, mantendo programa de medição periódica, conforme NBR 5419/2015 e NBR 5410/2004;

Efetuar periodicamente a revisão nas instalações de cabos no interior de canaletas e bandejamentos de maneira a eliminar cabos expostos, grandes densidades e acúmulo de resíduos, principalmente onde os cabos estiverem nas áreas de contenção ou drenagem de óleo dos transformadores;

Embutir fiações expostas em eletrodutos, calhas ou outros meios que protejam as mesmas de agressões à isolação, evitando também possíveis contatos de pessoas;

Efetuar o aterramento de novos equipamentos que estejam sem o devido sistema;

Procurar instalar sempre, chaves secionadoras com fusíveis ou disjuntores termomagnéticos individuais, em todos os circuitos que não possuam seccionamento e proteções independentes;

Nas operações em que haja a exposição direta às redes ou outras em que haja o contato dos funcionários com partes condutoras de corrente, quando da realização da atividade de manutenção, mesmo estando estas desenergizadas, proceder sempre o aterramento temporário, garantindo a segurança dos trabalhadores, de acordo com o procedimento do item 10.5 da NR 10 e item 8 deste laudo – “Procedimentos de Segurança”;

Manter controle periódico quanto à efetiva utilização do procedimento de segurança para a execução de trabalhos de manutenção em instalações elétricas (Permissão de Trabalho), conforme itens 10.5 e 10.6 da NR 10;

Utilizar sempre norma de segurança específica para atividades com energia elétrica;

Utilizar sempre os bloqueios de energia por meio de cadeados trava nas chaves de seccionamento elétrico. Este sistema visa eliminar a possibilidade de energização acidental durante a manutenção de máquinas, equipamentos e redes elétricas, principalmente quando mais de um profissional está trabalhando na mesma máquina. NBR 5410/04 -5.6.4.2 e NR 10 – 10.5;

Verificar se os eletricistas contratados estão reciclados periodicamente em primeiros-socorros. Todos os eletricistas autorizados devem estar aptos a executar o resgate e prestar primeiros socorros a acidentados, especialmente por meio de reanimação cardio-respiratória. item 10.12.2 da NR 10, além é claro dos treinamentos de NR-10 e SEP;

Os painéis elétricos de Força e Comando, os cubículos, as portas das cabines e etc. devem possuir sinalização de advertência do risco de Eletricidade e tensão de trabalho.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os profissionais que irão atuar em serviços no interior das cabines devem ser profissionais, qualificados, capacitados e autorizados, com os treinamentos de NR-10 e SEP atualizados, além, é claro de estarem portando todos os EPI´s, EPC´s e ferramentais necessários para cada tipo de atividade que será desenvolvida.

Juntamente a isso deve ser executado um trabalho em conjunto a área de segurança do trabalho e o responsável pela manutenção da empresa no momento das manutenções, acessos e operações a elaboração da análise de risco e da permissão de trabalho.  Onde será visto pontualmente todos os riscos envolvidos na atividade.

Com as recomendações acima expostas o planejamento dos trabalhos e gerenciamento de seus riscos todos os envolvidos nos trabalhos tem uma maior confiabilidade e segurança no caso de uma intervenção no sistema, sem causar danos colaterais, por acidentes, atrasos e futuros defeitos que poderiam ser sanados.